Episódio 4: Algumas coisas apenas acontecem

Laura estava quase saindo do apartamento para ir à academia quando o celular começou a tocar.

– Oi! Tudo bem, Carla?

– Desculpe te ligar a essa hora, Laura! Eu não poderei chegar amanhã no meu horário normal e preciso que você entre mais cedo, tudo bem?

– Hum… Não estava preparada para chegar mais cedo no trabalho, mas tudo bem.

– Mas, não é só isso. Amanhã o meu novo assistente começa. O nome dele é Diogo e preciso que você o receba, mostre a empresa… Aquelas coisas que você conhece bem! Devo chegar por volta de 10h. Tenho que ir à escolinha da Vivi para resolver umas coisas.

– Tudo bem, Carla! Que horas o tal Diogo deve aparecer lá?

– Marquei com ele às 8h30.

– Ótimo, chego às 8h e então começo a me preparar para receber o seu assistente.

– Ah, Laura! Muito obrigada! Sabia que poderia contar com você, amiga!

– Agora vou desligar. Estou indo na academia e vou dormir mais cedo para não perder a hora.

Carla gargalhou e disse:

– Laura, desculpe! Eu sei o quanto vai ser difícil para você entrar mais cedo.

– Carla, eu não consigo acordar cedo! Comecei a entrar às dez da manhã por causa disso. Mas, vou fazer um sacrifício para te ajudar.

– Eu te agradeço muito!

– Pode contar comigo sempre que precisar, Carla! Mesmo que eu precise acordar mais cedo!

Carla gargalhou e logo depois as duas se despediram. Na sequência, Laura foi para a academia e logo na entrada encontrou Cauê, o treinador:

– Pensei que não viria hoje. Está atrasada, hein?

– Eu tardo, mas não falho!

– Perdeu minha aula…

– Mas, do jeito que a academia está um tanto vazia hoje, vou ter sua atenção quase que inteiramente para mim. Às vezes a gente perde, mas no fim acaba ganhando. É tudo uma questão de reavaliar as coisas…

– É… Faz sentido! Vai para a esteira?

– Você quem manda, professor! – disse Laura de maneira provocante.

Cauê ficou olhando Laura se afastar e ela, sabendo que o professor a observava, olhou para trás e deu um pequeno sorriso.

– Vinte minutos, ok? Te espero! – disse Cauê.

– Não vou falhar, professor!

***

Lukas desligou a TV e foi para a sala. Carmem dormia no sofá com a TV ligada e ele, de maneira quase ritualística, desligou o equipamento e acordou a mãe. Ela foi para o quarto e ele para a cozinha. Pegou uma fruta na geladeira e foi para a varanda.

Ele gostava de observar a cidade lá embaixo enquanto deixava a mente vagar livremente, sem rumo. Os pensamentos indomados oram traziam questionamentos e ora traziam respostas. Entre uma mordida e outra, Lukas pensava em sua vida e na insatisfação que vivia, sem saber nem mesmo por onde começar a mudar.

– Essa sensação de querer colocar ordem na vida e não saber por onde começar é terrível!

Lukas vivia em conflito consigo mesmo. Queria fazer coisas diferentes, ser ele mesmo, mas a superproteção da mãe o impedia de qualquer coisa. Num impulso foi para o quarto e deitou. Os fantasmas estavam ali no seu quarto, como sempre estiveram, e não seriam espantados em um piscar de olhos. Mas, ele precisava dormir. Tinha aula no dia seguinte e não queria perder a hora.

***

 Cauê chegou em Laura e disse:

– Seu treino acabou, moça! E eu estou quase indo embora também.

– Hum… Interessante! Eu preciso mesmo ir embora. Amanhã acordo cedo para trabalhar.

– Você mora aqui perto?

– Hum… Abusadinho você, hein? Moro sim. Mas não muito perto. Agora preciso ir.

– Posso saber pelo menos seu telefone?

– Não! Se você se comportar, um dia eu passo meu telefone para você!

Laura se despediu de Cauê e em seguida foi para casa. Após comer um lanche, ela tomou um banho e então o interfone tocou.

– Dona Laura, – ela ouviu o porteiro dizer – tem um moço aqui querendo falar com a senhora. O nome dele é Cauê.

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